domingo, 14 de março de 2010

Na próxima vez...

Não sorria como tu sorris. Sorria com despedida, sem apego, sem afeto, assim será mais fácil.
Não me olhe como se já soubesse de mim, como se tudo fizesse sentido, com aquela malícia nos olhos.
Disfarce tensão com amenidades. Não suspire com inocência, mas sim com crueldade.
Não faça jus àquilo que dissestes para eu não sentir o que de mais intenso transpareceu.
Cala-te por instantes e me afaste de ti por completo. Com os olhos, mãos, coração, corpo e alma.
Despreze meus beijos pois assim confirmarei que não sentes a intensa volúpia e concordância que sentimos desde o primeiro.
Não me segure com força e nem ao menos tire-me do chão. Não se entregue. Não beije cada canto de meu corpo. Não busque aquele sexo minimalista. Seja incapaz de divertir-se e principalmente de divertir-me.
Não sofra com a falta e nem se mostre interessado com a presença.
Não use tua voz mais doce para acordar-me na calada da noite à procura de minha boca.
Não me admire enquanto durmo.
Minta ao me abraçares e não sussurres no meu ouvido quando, pela manhã, teu corpo estiver sobre o meu.
Não atribua mais dias a todos os outros que te conheci pois anteciparia-nos de um futuro perfeito.
Contribua para o desapego, para a sensação de abandono e para o descaso.
Dessa forma, conseguirei me despedir da tua alma e coração e não apenas da boca que me beija, dos olhos que me inquietam, do cheiro que me embriaga, dos braços que me envolvem, dos dedos que me tocam, da pele que me instiga, de ti que me complementa.
Da próxima vez que me encontrares, não me faça feliz.

Um comentário:

  1. Como é difícil praticar o desapego. Tirar alguém da nossa vida é muito mais complicado que colocá-la lá! Mas se te faz feliz, por que desapegar? Perguntas sem respostas convincentes...

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